Marla: "Sou professora de física.
Precisamos rever urgentemente a forma como ensinamos matemática desde o início do fundamental.
Eu não sei o que fazemos (enquanto sociedade) que deixa os alunos com tanto trauma de matemática.
Quando eles chegam no primeiro ano do ensino médio, em geral já odeiam matemática, e aí acabam não gostando de física por causa da matemática.
É muito difícil ensinar alguém sobre algo que ele/ela odeia ou tem medo.
Mas entender isso já é um primeiro passo."
William: Pra mim tínhamos que enxugar ao máximo o currículo escolar.
No ensino fundamental decidiríamos os aprendizados básicos, padronizar a nível nacional e através de muita repetição (exercícios) fixar na mente da criança.
Exercitar o cérebro como exercitamos os músculos.
Pacheco: Você acha que deveríamos privatizar o ensino ou deixar sobre a administração de empresas privadas o ensino público?
Também acredita que o professores de história devem ser formados pelo ideal colocado pelo Brasil paralelo?
Você acredita que o sistema atual de educação é um sistema falido e que o sistema antigo antes de 1980 era muito melhor?
William: A primeira coisa é recuperar a autoridade do professor na sala de aula, não importa se a escola é pública ou privada.
A tal "educação libertadora" colocou aluno e professor no mesmo nível, isso nunca teve como dar certo.
A indisciplina deve ser comunicada aos pais, se não fizerem nada, suspensões.
Se não funcionar, expulsão.
Melhor perder um que sacrificar o aprendizado de muitos.
Pacheco: Neste caso, militarizar as escolas é o caminho?
William: Porquê!?
Trabalhei em varias empresas, todas tinham regras.
Nenhuma era militar.
(Porém, prestei o serviço militar, tenho esse conhecimento do meio.)
Aliás começa por ai, na vida é comum nos depararmos com hierarquias e regras, porque esse "Sambalelê" nas escolas!?
Minhas filhas foram instruídas a respeitar o professor, ir bem nos estudos era para a vida delas, o professor (bem ou mal) já era um profissional.
Pacheco: Foi só uma pergunta sobre o que você acha.
E é uma pergunta muito lógica quando você fala sobre essa história de educação libertadora não tem nada a ver, fala sobre a hierarquia e deixar bem claro que o professor é que manda na sala de aula e como a tendência hoje é de dizer que as escolas militares são muito melhores, me pareceu que era uma pergunta óbvia a se fazer.
Não tô dizendo que você tá errado ou certo só tô perguntando para entender.
William: A “educação libertadora” defende questionar tudo e todos.
Se não podemos questionar os professores eles são nossos opressores... segundo Freire ...
Pacheco: No caso militarizar as escolas é o caminho?
No sentido que precisa ter hierarquias e regras nas escolas.
Precisa haver um controle que ensine uma forma mais dura o respeito, precisa enxugar as disciplinas e ter punições rígidas.
Então de acordo com o que você está escrevendo o modelo reflete a escola militar.
É este o caminho que sugere?
William: Companheiro, se você quer matricular seu filho em uma escola com denominação "militar" ... que seja.
Poderia ser com denominação "católica", "batista", "adventista", "ateia" ....
Vamos falar de futebol?
Tem hierarquia, regras, disciplina, punições ... esses elementos não são exclusivos de organizações militares.
A escola pública (ou privada) para impor bom comportamento tem que ter a denominação "militar"!?
Não consigo defender esse argumento.
Pacheco: Eu não estou argumentando William.
Estou perguntando.
Isso significa que você não gosta de escola militar?
As perguntas são para delimitar, conhecer e entender.
Se quiser fazer algumas perguntas para mim eu vou gostar de responder.
William: Por tudo que já li a respeito, não tenho nada contra escolas com "denominação" militar.
Defendo o uso de uniformes nas escolas, mas não precisa ser farda.
Escolas do MST, me preocupam mais, não matricularia um filho numa escola dessas...
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