Total de visualizações de páginas

domingo, 16 de agosto de 2026

Dedução Capenga

 




 Postagem no Face: " Segundo a ONU, o casamento gay é permitido em somente 38 países, enquanto o casamento infantil é legal em aproximadamente 117 países. 
   Diz muito sobre as prioridades da sociedade".

William >> Essa postagem tem uma pegadinha que em filosofia chamamos de "sofisma".
  Não tem nenhuma mentira no sentido de informação falsa, mas é narrada (contextualizada) de um jeito que leva a pessoa a uma dedução "capenga".

  Primeiro entendam que a ONU não é uma entidade pessoal, isso é óbvio, mas muitos parecem não entender.
  Pessoas se reúnem e chegam a um consenso.
  Aquele grupo que se reuniu representa o entendimento de toda a humanidade?
   Claro que não.
   Outro grupo poderia chegar a um consenso diferente.

   Esse grupo de estudo que se reuniu na ONU decidiu classificar como "casamento infantil" sempre que pelo menos um dos cônjuges tiver menos de 18 anos.

  Vou falar só do Brasil que conheço melhor a legislação.
  No Brasil é terminantemente proibido alguém menor de 16 anos casar, dos 16 aos 18 só é permitido casar com o consentimento do pai e da mãe.

  Juridicamente a infância vai até os 12 anos, mas vamos licenciosamente "nessa meditação" elevar para 14 anos.

  Observem que usando o BOM SENSO, no Brasil é terminantemente proibido casamento infantil.
  Mas no CONSENSO da ONU, estamos nessa lista dos 117.

   A ONU tem muito disso, o importante é que os dados choquem e levem a humanidade a deduções capengas.
   Isso diz muito sobre as prioridades da ONU?
   (De repente a ONU consegue mais contribui$ões para lutar contra o casamento de "crianças".)

  A humanidade prefere o casamento infantil que o casamento gay?
  É mentira, é verdade?

  Não sei, só sei que com o consenso usado  pela ONU "eu" não chego a uma dedução satisfatória.

  Indo além ...

  No papel tudo é muito bonito, mas na vida real...
  Se sua filha de 16 anos esta decidida a casar, o que de fato você pode fazer?
  Tá, você pode impedir que ela case no civil, mas segundo nossas leis a união estável vale a mesma coisa.
  Você vai prende-la em casa?
  Cárcere privado é crime, mesmo você sendo o pai.

  Tudo vai depender da adolescente ter um respeito tão grande por você, de modo a respeitar sua decisão.
   Um grande complicador é se ela estiver gravida.
   Uma coisa é esperar até os 18 anos de boa.
   Outra é uma criança sendo criada pelos avós sendo que o pai quer assumi-la em uma união estável.

Ludmila >> Sabe porque a ONU, definiu como casamento infantil, idade até 18 anos?

Prejuízos à saúde: Meninas adolescentes não possuem o corpo totalmente desenvolvido para a gestação, elevando taxas de mortalidade materna e complicações no parto.

2 Evasão escolar: A entrada no casamento costuma forçar a saída imediata da escola, interrompendo a educação formal de meninas.

3 Dependência econômica: A interrupção dos estudos reduz drasticamente a qualificação profissional, perpetuando ciclos de pobreza e falta de autonomia financeira.

4 Violência doméstica: Noivas menores de 18 anos frequentemente enfrentam maior assimetria de poder e vulnerabilidade a abusos físicos e psicológicos por parceiros mais velhos.

William >> Nada disso justifica usar o termo infantil. 
  O correto seria “infanto juvenil”, mas claro que não teria o mesmo apelo emocional na quantidade de contribuições financeiras.



   Chega de pedir desculpas pelo sucesso da Democracia e do Capitalismo.
   (William Robson)





  
✧✧✧ 



Resumo:


1. Uso de sofisma e narrativa indutora: A postagem analisada constrói um sofisma. Embora utilize dados verídicos, a forma como são contextualizados induz o leitor a uma dedução “capenga” e distorcida sobre as prioridades reais da sociedade em relação ao casamento gay e ao casamento infantil.

2. Relativização dos consensos da ONU: A ONU é formada por grupos de pessoas que chegam a consensos específicos, os quais não representam de forma exclusiva o entendimento de toda a humanidade. As resoluções da entidade servem apenas como ponto de partida para o debate público, e não como uma verdade incontestável ou linha de chegada.

3. Divergência entre o conceito da ONU e a legislação brasileira: O critério amplo da ONU (que define como "infantil" qualquer união com pelo menos um cônjuge menor de 18 anos) coloca o Brasil na lista dos 117 países permissivos. No entanto, aplicando o bom senso e a lei brasileira — que proíbe o casamento abaixo dos 16 anos e exige autorização dos pais até os 18 —, o Brasil não permite o casamento verdadeiramente infantil.

4. Apelo emocional e interesses institucionais: A escolha do termo "infantil" em vez do mais preciso "infanto-juvenil" visa causar um efeito chocante no público. Esse apelo emocional pode atender a interesses de captação de recursos e contribuições financeiras para as pautas da própria entidade.

5. Limitações da lei diante da realidade social: No plano prático, a proibição civil tem alcance limitado. Caso uma adolescente de 16 ou 17 anos decida morar com o parceiro, o ordenamento jurídico reconhece a união estável de forma análoga, e a autoridade parental não pode recorrer ao cárcere privado para impedi-la.

6. Complexidade de cenários práticos (como a gravidez): As normas rígidas enfrentam dilemas práticos em situações reais, como no caso de uma gestação na adolescência, em que o pai deseja assumir a família e formar um lar, tornando insustentável a imposição de esperar até os 18 anos.

7. Incapacidade da justificativa social de alterar o conceito estrito de infância: Mesmo diante dos argumentos apresentados por Ludmila (prejuízos à saúde, evasão escolar e vulnerabilidade), as consequências sociais e econômicas da união na adolescência não justificam estender o rótulo de "infantil" a indivíduos que já deixaram a infância.



  


.