Estela: Colocaram vidro na água da professora.
Ainda acham que o maior problema da escola é a "doutrinação"!!!
Vânia: Professor não consegue nem dar aula.
Não consegue nem ter silêncio.
Imagina conseguir “doutrinar” alguém.
Essa galera viaja!
William: Então o principal problema é a indisciplina?
Será que isso tem a ver com a "educação libertadora" que tirou a autoridade do professor para ele não passar por "opressor"?
Não acredito que a intenção de Paulo Freire fosse que o professor perdesse autoridade na sala de aula, mas visivelmente foi o que acabou acontecendo.
O método de alfabetização dele (para adultos) é o que menos importa.
O que pesa mais é sua influência como pensador na sua obra PEDAGOGIA DO OPRIMIDO.
Paulo Freire é tratado como educador e filósofo, embora sua formação tenha sido em Direito.
Uma das suas postulações é a educação libertadora.
Ao invés de uma relação "vertical" entre aluno e professor, ele propõe uma relação "horizontal".
O professor deve evitar ao máximo qualquer atitude que possa ser interpretada como "autoritária" (opressora).
Isaura: E há, muitas vezes, uma série de omissões, né?!
Da família, da direção e coordenação, do sucateamento das escolas, do ataque sistemático à educação, e também do esgotamento familiar que não tem tempo (muitas vezes por estar se matando de trabalhar) de estar atento aos filhos, delegando a atenção a eles para as telas.
Esse é um problema muito mais profundo.
Nós, professores, estamos num mato sem cachorro mesmo…
William: Tenho uma dica para os professores.
Esqueçam a "educação libertadora".
Crianças precisam de disciplina.
Muitos pais pensam igual eu, mas os "especialistas em educação" dizem que estamos errados.
Os especialistas são professores e pedagogos... os políticos seguem os conselhos desses técnicos.
Qualquer um fora desse meio dizem que "não tem lugar de fala".
Estela: Compreendo sua crítica...
Mas as escolas, desde sua idealização, estão fadadas ao fracasso.
Ora, a educação compulsória surge para "disciplinar" os corpos dos trabalhadores.
As escolas estão imersas em um sistema muito mais complexo.
Então, será que singularizar em Paulo Freire o problema é o correto?
William: Não singularizei em Paulo Freire, não espero que ele faça nada até porque já não está entre nós.
Minha parte de pai eu faço, minhas filhas são bem educadas, sempre elogiadas pelo corpo docente.
Não tenho como obrigar outros pais disciplinarem seus filhos.
A escola também não.
Mas a escola enquanto instituição pode estabelecer normas mais rígidas e forçar uma adequação.
Exemplo simples, defendo uniformes nas escolas.
A criança precisa entender que até com a vestimenta se respeita uma instituição.
Na minha caminhada matinal, passo por estudantes com roupas extremamente sensuais ou extremamente despojadas ... chinelo Havaiana, short meio pijama...
Tenho apoio dos professores para exigir uniforme?
Até hoje nenhum me apoiou explicitamente.
Tem algum por aqui que me apoia?
Estela: William, vou usar o exemplo dos uniformes que você trouxe.
Eu sou uma professora que constantemente reforça o uso adequado do fardamento.
Na verdade, na minha instituição (graças a Deus), todos são assim.
A governadora do estado libera o auxílio tênis, eles ganham fardas e bolsas...
Agora veja: todos os dias está lá minha gestora mandando os meninos pra casa, porque estão de chinelo.
Alguns levam na bolsa, trocam escondido.
Cadê a família? Como que eles deixam as filhas saírem com as fardas cortadas ou pintadas?
Veja, eu frequentei escola pública, mas sai de casa educada.
Espero que entenda meu ponto.
William: É o mesmo ponto que o meu.
O que a criança ou adolescente faz fora da escola é problema deles e dos familiares.
Dentro da escola é disciplina.
Aquelas escolas cívico - militares tem essa proposta e tem atraído o interesse de muitos pais.
Eu apoio esse tipo de escola?
"Pra mim" todas as escolas deveriam ter meios legais de impor disciplina.
Pode ser o melhor método de ensino do mundo, sem disciplina não tem efeito.
Se a escola é Católica, Protestante, Ateia, Umbandista ... vai da escolha e possiblidades dos pais.
Família Educa, escola ESCOLARIZA.
Vânia: Não sou pedagoga.
A única coisa que sei é que professor nenhum tem capacidade de doutrinação, pois não consegue ser ouvido por ninguém dentro de sala de aula.
Foi isso que escrevi.
William: Para entender certas coisas você tem que ter uma visão holística, não olhar só para o hoje.
As crianças pós popularização da Internet (por volta de 2014) não tem como serem doutrinadas na escola.
A indisciplina delas vem da doutrinação nas décadas de 1960, 1970, 1980.
Pais e avós que se convenceram que quem educa é a escola e a escola por sua vez priorizou "formar cidadãos".
Essa foi uma decisão cultural do nosso povo.
O problema ao meu ver é que os professores que estão sendo formados continuam com a mesma visão cultural.
A cultura de um povo pode mudar ... se a maioria quiser mudar...
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Resumo:
1. A indisciplina pode ser um problema mais grave do que a doutrinação.
o Você desloca o foco do debate ao argumentar que, se professores sequer conseguem manter a ordem em sala, a indisciplina merece atenção central.
2. A perda de autoridade do professor estaria ligada à influência da "educação libertadora".
o Sua principal tese é que a valorização de uma relação mais horizontal entre professor e aluno enfraqueceu a autoridade docente e contribuiu para o aumento da indisciplina.
3. A principal influência de Paulo Freire não seria seu método de alfabetização, mas sua filosofia educacional.
o Você sustenta que o impacto mais relevante de Paulo Freire está na obra Pedagogia do Oprimido e em sua concepção de educação, mais do que em seu método de alfabetização de adultos.
4. A rejeição de práticas consideradas "autoritárias" teria produzido um efeito contrário ao desejado.
o Segundo seu argumento, ao evitar qualquer postura que pudesse ser vista como opressora, muitos professores perderam instrumentos para manter a disciplina, gerando um resultado previsível: salas de aula mais indisciplinadas.
5. Paulo Freire não teria pretendido esse resultado, mas sua influência teria levado a ele.
o Você faz uma distinção entre intenção e consequência, afirmando que não acredita que Freire desejasse enfraquecer a autoridade docente, porém considera que esse foi o efeito prático de suas ideias.
6. Crianças precisam de disciplina, e os professores deveriam abandonar a "educação libertadora".
o Essa é sua proposta prática: recuperar modelos educacionais que enfatizem disciplina e autoridade do professor como condições para o aprendizado.
7. O debate educacional estaria excessivamente concentrado nos especialistas.
o Você critica o fato de pedagogos e professores influenciarem as políticas públicas enquanto pais e pessoas de fora da área seriam frequentemente desqualificados por supostamente não terem "lugar de fala", apesar de muitos defenderem uma educação mais disciplinada.
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