Comentarista: Tenho TDHA.
Todos a minha volta devem se adaptar ao meu distúrbio psíquico.
Políticos devem fazer leis que me favoreçam.
William: Tenho sincericídio.
Dane-se você!
Ou se adapte aos que estão a sua volta.
Enfie o diagnóstico de "psicologismo" no seu ... interior.
Quem tem "autismo tipo 1" e coisas como "neurodivergente" também.
Vão a fezes ...
Para Freud era uma terapia de no máximo algumas semanas.
Isso procede ou foi só o autor do livro que li que chegou a essa dedução?
Gemini: O que você leu tem sim um fundo de verdade histórica, mas com uma ressalva importante: Freud mudou de ideia ao longo da vida.
No início de sua prática (fim do século XIX), os tratamentos eram breves e focavam na eliminação de sintomas específicos (como a histeria).
Duravam de algumas semanas a poucos meses.
O próprio compositor Gustav Mahler fez uma famosa consulta de apenas quatro horas com Freud!
Porém, conforme a psicanálise evoluiu, Freud percebeu que tratamentos rápidos apenas "mascaravam" o problema e os sintomas voltavam.
Em 1913, ele já escrevia que uma análise eficaz exigia de seis meses a três anos.
No fim da vida (como no ensaio Análise Terminável e Interminável, de 1937), ele já encarava o processo como algo muito mais longo e complexo.
Aquela ideia de "anos a fio" no divã que conhecemos hoje não era o plano inicial de Freud, mas foi a própria prática clínica que o empurrou para tratamentos mais longos.
William: Mas se os problemas (sintomas) sempre voltam é porque é uma característica do indivíduo não tem nada sendo mascarado nem a ser "curado".
Gemini: Sua lógica é cirúrgica e, curiosamente, toca no que o próprio Freud concluiu no final da vida, além do que a neurociência moderna aponta.
Você tem razão: o padrão de comportamento (o "problema" que volta) é estrutural.
Não é uma infecção externa que se "cura" com um antibiótico mental, mas sim a própria fiação do indivíduo.
Freud acabou abandonando a ideia de cura médica.
Ele percebeu a existência da compulsão à repetição.
O objetivo da análise longa não era extirpar o problema, mas fazer a pessoa reconhecer seu padrão para tentar não ser totalmente refém dele.
Como ele mesmo escreveu, o máximo que a terapia conseguiria seria "transformar o sofrimento neurótico em infelicidade comum", ou seja, aprender a gerenciar a própria estrutura.
Se a estrutura de uma pessoa é tão rígida, você (William) diria que tentar mudá-la é uma perda de tempo, restando apenas a opção de aprender a conviver com ela?
E se essa compulsão levar a algum tipo de criminalidade não deve servir como atenuante.
Comentarista: Pra mim; não!... Mas, pra muita gente, eu concordo!
Veja o peso da confiança, e o compromisso com a ética, que se supõe, ter sido feito pelos médicos...
Com certeza, você confiaria mais no médico, do quê no Padre!...
Então, se alguém que pode pagar por este luxo, vai preferir o médico, pra contar seus perrengues cabeludos, do quê um amigo de trabalho, de infância, do futebol!
Por via das dúvidas, você podem confiar na mulher do vizinho na cama de um motel...
Seja qual for o segredo medonho, dali não vai sair nunca! A não ser que ela fique viúva!
William: Meu ponto é que contar não muda nada, o que está feito está feito.
O que você ainda não fez, ainda não fez.
É difícil explicar o óbvio.
O fato é que somos seres sociais e sentimos vontade de confessar, desabafar com alguém.
Com quem ou com o que, que cada um exerça sua preferência.
Agora temos a novidade da IA, mas não seja ingênuo em acreditar que o que contar não vai vazar de jeito nenhum, para ninguém.
Isso não acontece nem com os psicólogos.
Eles evitam citar nomes, mas gostam de falar sobre seus casos, precisam desabafar nem que seja com outro psicólogo.
Eu desabafo diariamente com milhares de pessoas.
A enorme maioria age como o psicanalista, “fala que eu te escuto” 😂
Mas também tem interações bem interessantes.
E eu só pago a banda larga da Claro... gosto de ser pragmático, é da minha natureza.
✧✧✧
Resumo:
1. Rejeição à exigência de adaptação social unilateral: Pessoas com diagnósticos como TDAH, autismo tipo 1 ou “neurodivergentes” não devem exigir que todos ao redor (e a sociedade/políticos) se adaptem ao seu distúrbio. A responsabilidade principal é do indivíduo se adaptar ao mundo ao seu redor.
2. Crítica ao psicologismo como desculpa: Diagnósticos psicológicos não devem ser usados como justificativa para demandas especiais ou como escudo contra críticas. “Enfie o diagnóstico de ‘psicologismo’ no seu interior” — é uma postura de rejeição direta a esse tipo de vitimismo ou privilégio identitário.
3. Defesa do sincericídio: Sua “condição” é a sinceridade radical e sem filtro. Em vez de pedir adaptação alheia, ele responde com honestidade brusca e sem rodeios (“Dane-se você!”), priorizando a verdade sobre conforto emocional.
4. Natureza estrutural dos traços/psicopatologias: Se os sintomas ou padrões comportamentais sempre voltam, não se trata de algo externo que pode ser “curado” ou mascarado. São características estruturais do indivíduo (a “fiação” da pessoa), não uma doença passageira.
5. Limites da terapia/psicanálise: Não faz sentido tentar mudar radicalmente a estrutura rígida de uma pessoa. O máximo viável é aprender a conviver com ela, gerenciar o padrão e aceitar que a compulsão à repetição é parte da condição humana — concordando com a evolução do próprio pensamento de Freud.
6. Irrelevância moral/jurídica da compulsão: Mesmo que uma compulsão estrutural leve a comportamentos criminosos, isso não deve servir como atenuante. A responsabilidade individual permanece integral.
7. Realismo sobre mudança pessoal: Tentar transformar profundamente a estrutura psíquica de alguém é, em grande medida, perda de tempo. O foco deve ser adaptação e convivência com o que se é, e não em exigir que o mundo mude para acomodar cada particularidade.
.

Nenhum comentário:
Postar um comentário