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domingo, 13 de setembro de 2026

Falhas Culturais

 



 Post no Face:  "Sendo bem honesto, a quem você daria o teu lugar no ônibus?
  Idosa, gestante, homem com muletas, mulher com criança no colo?"


William >> Eu apenas me levantaria.
  Quem se sentisse mais necessitado que ocupasse o lugar.

Leila >> Simples. 
 Por lei 4 pessoas teriam que ceder o lugar. 🤷🏽‍♀️

William >> A pergunta é para quem "você" daria o teu lugar.
  Essa é a provocação do autor da postagem.
  A sugestão é que ignoremos as leis e os bancos vazios no desenho mal feito.

Leila >> Não vejo dessa forma exatamente porque existe leis, essas leis só se fizeram necessárias porque por ninguém se levantava e dava lugar pra pessoas em todas essas situações. 
  Pode reparar que o desenho de prioridade segue essa mesma sequência. 
  Na dúvida, é só ler os comentários no post original, as pessoas (muitos) não daria lugar, arrumaria um desculpa do tipo, sono profundo. 
  Acontece bastante, aliás .

William >> Se é assim (quer problematizar 😉) ... a existência da lei é uma coisa, sua aplicabilidade é outra.
  A pessoa pode simplesmente decidir não ceder o lugar.
  O que acontece efetivamente?
  Um ou outro pode reclamar, olhar feio.
  Mas ainda não presencie isso virar um B.O
  Alguém conhece algum caso da pessoa ser presa ou mesmo multada por não ceder o lugar?

  Voltando a postagem.
  Você Leila, voluntariamente, por educação, cederia seu lugar a qual dos passageiros representados na imagem?

Leila >> Acho que você não presenciou tal situação exatamente porque existe lei. 
  Você não presencia ninguém fumando dentro dos coletivos, exatamente por que existe leis. 
  Antes das leis, era rotina acontecer. 🤷🏽‍♀️

  Pessoas do seu tipo (não sei se é necessariamente seu caso) precisam de uma lei para ceder o lugar a alguém que aparentemente precisa mais que você.
  Pessoas iguais eu são menos primitivas, a lei pra esse tipo de coisa é um mero detalhe, mesmo que não exista fazemos o que achamos eticamente correto.

  Em uma cultura como a Dinamarca (só um exemplo) claro que existem indivíduos mais "primitivos, selvagens", porém holisticamente há mais dinamarqueses civilizados.

  Quando os indivíduos percebem suas falhas culturais (na comparação com outros povos mesmo) e tentam se corrigir, há esperança de uma sociedade que funcione melhor.
  Quando há falhas culturais evidentes e muitos ou quase todos indivíduos se orgulham delas como "traço cultural" ... tipo o "jeitinho brasileiro"... fica difícil ficar esperançoso com a melhora.
  Exemplo fácil é nossa tolerância com a corrupção.
  A situação é tal que as pessoas civilizadas no Brasil precisam escolher nas eleições os menos corruptos!!
  Em uma cultura como a dinamarquesa a honestidade é praxe, a escolha é entre os que parecem mais competentes.

Leila >> Enfim, eu me levantaria e o mais próximo iria se sentar.

William >> Ufa! 😂😂


✧✧✧



Resumo:


1. Ação ética individual independe da escolha de um beneficiário específico:
  Diante da provocação sobre a quem ceder o assento (idosa, gestante, homem com muletas ou mulher com criança), seu argumento inicial é que basta se levantar e abrir mão do lugar, deixando que quem mais necessite o ocupe, sem a necessidade de julgar ou selecionar quem é "mais prioritário".

2. Foco na essência da provocação do post (subjetividade vs. obrigatoriedade):
 Você ressalta que a pergunta original questiona o comportamento voluntário da pessoa ("para quem você daria o lugar"), e não a aplicação mecânica de regras ou legislações.

3. Diferença entre a existência teórica da lei e sua eficácia prática (aplicabilidade):
 Você argumenta que a existência formal de uma lei não garante sua eficácia no dia a dia. Na prática, descumprir o assento preferencial raramente resulta em punições reais (como multas ou prisão/B.O.), dependendo do julgamento e da moral do indivíduo no momento.

4. Moralidade interna vs. Necessidade de coerção estatal:
 Um dos seus pontos centrais é a crítica à dependência da lei para a prática de boas ações. Enquanto algumas pessoas precisam de uma lei expressa para ceder o assento, indivíduos de postura ética madura fazem o que é correto voluntariamente, sendo a lei apenas um detalhe secundário.

5. A visão "holística" da civilidade cultural:
  Você defende que certas culturas (como a dinamarquesa, usada como exemplo) possuem uma proporção holisticamente maior de cidadãos civilizados, onde o respeito mútuo e a ética são a norma social cotidiana, e não frutos de coerção.

6. Falhas culturais e o problema da autocomplacência ("jeitinho brasileiro"):
  Argumenta-se que há esperança de avanço quando uma sociedade reconhece suas deficiências e busca se corrigir. O problema crônico ocorre quando a cultura se orgulha de suas próprias falhas — normalizando o "jeitinho brasileiro" —, o que paralisa a evolução social.

7. A tolerância cultural à corrupção e seus reflexos na política:
  Como reflexo direto dessas falhas culturais, a tolerância generalizada com desvios morais faz com que, no Brasil, a escolha política se limite a escolher os "menos corruptos", enquanto em sociedades mais civilizadas a honestidade é o pressuposto e o debate se dá pela competência dos candidatos.

 


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