Paola >> Por que uma pessoa de esquerda que é dona de um negócio não divide seus ganhos igualmente com seus funcionários, já que defende tanto o socialismo?
William >> Vou dar uma de “advogado do diabo” 😉 … acredito que vai ser a melhor maneira de me fazer entender.
A expressão "advogado do Diabo" refere-se a alguém que defende um ponto de vista oposto ou impopular, não por concordar com ele, mas para testar a força dos argumentos, expor falhas no raciocínio e enriquecer o debate.
Origina-se de um antigo cargo da Igreja Católica.
(Gemini)
Alguns mais à esquerda são hipócritas mesmo, talvez a maioria.
Quer dividir só o que é dos outros.
Mas tem o pragmático.
Vamos supor que eu fosse socialista rico e defendesse a distribuição dos lucros em partes iguais.
Eu faria isso só se todo mundo fizesse.
Se muitos continuassem acumulando capital tendo uma vida de fartura … eu me sentiria um tanto otário de viver com minha família abaixo das minhas possibilidades.
E aqui entramos na principal barreira das teorias de Karl Marx.
A “natureza humana”.
Absolutamente todos tem que querer dividir igualmente o que herdaram ou trabalharam muito para conseguir.
Os que não quiserem serão forçados a isso pelo “Estado”.
Acontece que não tem um Senhor pessoal chamado Estado.
Existem pessoas (eleitas ou não) ocupando cargos poderosos.
Essas pessoas estão sujeitas a querer acumular bens, é a natureza humana, não dá para escapar.
Não estou dizendo que todos são mais ambiciosos do que deveriam ser.
Estou dizendo que muitos humanos nascem com essa característica.
Em uma comparação para que todos possam entender … é como querer proibir relações sexuais antes do casamento ou fora do casamento
Você pode “pregar” essa ideia.
Mas é ingenuidade acreditar que vai eliminar essas práticas da sociedade, é comum que nem quem prega com muita convicção consiga resistir a alguma tentação.
Charles: >> Há muitas formas de ser escravo, William.
É uma vida miserável passar longos anos fazendo as mesmas coisas sem descobrir todo o potencial que temos como seres humanos.
Não fomos criados para isso.
William >> Há muitas formas de ser livre (níveis de liberdade) e também de se fazer de vítima.
Liberdade plena não existe, chamar quem trabalha para se sustentar de "escravo" é puro vitimismo.
Ser escravo é ser propriedade de alguém; se ninguém tem poder para te comprar e vender, você não é escravo.
Achar que a vida se torna miserável só porque passamos longos anos fazendo as mesmas coisas é ignorar a realidade.
Eu como arroz com feijão desde muito novo e pretendo continuar até o fim.
O sustento nunca apareceu do nada para ninguém, nem para o homem das cavernas.
O dinheiro apenas tornou nossas trocas mais eficientes, e quem não quer a rotina de uma profissão é livre para tentar outro caminho, ainda que financeiramente isso raramente dê certo.
O que mais me provoca risos é ouvir o papo furado sobre "descobrir todo o potencial que temos como seres humanos".
As pessoas se acham demais!
A realidade é bem diferente, a grande maioria de nós é medíocre, e não há absolutamente nada de errado nisso, pois é o normal, é o esperado.
Cerca de 70% da humanidade está dentro da média e, por mais sofisticado que seja o sistema de ensino, jamais chegará a qualquer tipo de genialidade.
Cerca de 20% são pouco inteligentes, e apenas uns 10% possuem realmente um intelecto superior.
É preciso parar de fantasiar a vida e encará-la como ela é.
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Resumo:
1. Hipocrisia versus Pragmatismo na Esquerda: Enquanto alguns esquerdistas são hipócritas por quererem dividir apenas o que é dos outros, o socialista pragmático não divide seus ganhos isoladamente para não se sentir "otário" enquanto outros continuam acumulando capital e vivendo na fartura.
2. A Grande Barreira da Natureza Humana: O socialismo esbarra na natureza humana ao exigir que absolutamente todos queiram dividir o que herdaram ou conquistaram pelo próprio esforço.
3. A Falácia do Estado Neutro: A tentativa de forçar a divisão por meio do "Estado" ignora que o Estado não é um ente abstrato, mas sim composto por pessoas (ocupantes de cargos) que também estão sujeitas ao desejo de acumular bens.
4. Incompatibilidade com a Realidade Humana: Querer impor uma igualdade absoluta de abnegação é tão ingênuo quanto tentar proibir desejos inatos — como as relações fora do casamento — ignorando que nem sempre, mesmo quem prega com convicção, consegue resistir.
5. A Crítica ao Vitimismo Laboral: Chamar quem trabalha para se sustentar de "escravo" é puro vitimismo. A escravidão real envolve a propriedade direta de um ser humano por outro; o trabalho e a rotina são exigências naturais da sobrevivência desde o homem das cavernas.
6. A Ilusão do "Potencial Humano" Ilimitado: O discurso romântico de que todos precisam "descobrir todo o seu potencial" ignora a estatística real da humanidade, onde a grande maioria (cerca de 70%) é mediana, e não gênios em potencial.
7. Realismo Existencial: É preciso parar de fantasiar a vida. Ser mediano é o estado normal e esperado, e a rotina de trabalho é o meio eficiente que encontrou-se para garantir o sustento, sem espaço para devaneios utópicos.
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