segunda-feira, 1 de junho de 2026

Menor Aprendiz

 

William: Você acha justo mesmo eu podendo fazer algo para amenizar meu sofrimento ser impedido de fazê-lo?
(Arquivo 9 de julho de 2012)



Beto: Está fazendo apologia ao trabalho infantil???

William: No texto tem uma defesa pessoal do que eu acredito.
  Defendo MEUS argumentos.
  Se um jovem de 14 anos quer ou precisa trabalhar, EU, não vejo problema dele ter carteira assinada e ganhar como adulto.
  O garoto aprende manobras complexas nos games.
  Qual a dificuldade em operar um caixa de super mercado e tratar os clientes com educação?

Beto: A questão não é "querer" ou "precisar" a ponto de trabalhar em qualquer coisa e largar os estudos. 
  Eu sou a favor do jovem aprendiz porque o adolescente não larga os estudos.
 Fora do jovem aprendiz o lugar de criança e adolescente é no colégio estudando.

William: Eu estudava a noite e trabalhava de manhã.
  Tem propostas mais à direita de horários flexíveis e trabalho intermitente.
  Quem quer engessar tudo são os mais à esquerda.
  Menor aprendiz é exploração, minha filha trabalhava tão bem quanto adultos e ganhava menos da metade de um salário mínimo.

Beto: O jovem aprendiz ajuda o jovem a ingressar no mercado de trabalho. 
  Combina trabalho prático em uma empresa com capacitação teórica em uma instituição parceira. 
  Salário mínimo- hora proporcional a horas trabalhadas, férias remuneradas( geralmente concedidas durante o recesso escolar), 13 salário, FGTS e vale transporte.
 Mais para vc é "exploração"!!!! 
 Para um adolescente isso é muito!!!

William: Que ajuda o jovem precisa?
  Surge a vaga, ele se candidata.
  Vamos ficar no exemplo do caixa, ele vai passar por treinamento como qualquer um.
  Eu nunca trabalhei em supermercado, teria que passar pelo mesmo treinamento.
  Tudo mais que você falou faz parte de ser registrado formalmente, não me venha com sofismas.
  E porque para o adolescente é muito!?
  Você não sabe a situação do cidadão.
  Meu caso é meio extremo, mas eu tinha minha mãe em casa porque cuidava do meu irmão com hidrocefalia.
  Tinha mais 3 irmãos menores que eu, minha irmã mais velha (ainda menor) depois de um tempo conseguiu emprego em uma loja de roupas.
  Mas por cerca de 1 ano e meio  meu salário na metalúrgica e algumas faxinas da minha mãe era tudo que tínhamos.
  Seu mundinho cor de rosa não acontece com todos.

Beto: Estudar a noite e trabalhar de manhã é pra adulto. 
  De menor tem que estudar integral ou trabalhar meio período e estudar de manhã ou a tarde. 
  Isso é o certo.

William: Por isso os horários flexíveis a combinar.
 Se a disponibilidade é de 4 horas ou seis horas que assim seja.
 Muitos lugares tem horários de pico que precisam de mais funcionários, depois são dispensáveis.
  Em economias modernas tão complexas o problema são burocratas do governo engessando tudo.
  Tratando todos os pobres como amebas.
  Tratando todo empreendedor como vampiro.


Nota: Aqui em Campinas desde quando consigo me lembrar tinha os Patrulheiros e os Guardinhas.
  Programas bem parecidos com o menor aprendiz e a mesma exploração.
  Os menores que conseguiam trabalho “normal” se davam bem melhor.
  Na escola noturna praticamente todos os menores trabalhavam de dia, se não me falha a memória era até uma exigência.
  A diferença é que uns ganhavam normal e outros eram Guardinhas ou Patrulheiros.

 O bom da juventude é o excesso de energia.
  Lembro que eu jogava bola descalço na rua por horas.
  Faz tempo que não suportaria coisas que eu fazia com 14 anos, meio que brincando.
  Lembro que na metalúrgica tinha uma hora de almoço.
  Terminava de comer e jogava futebol no tempo que restava!!!
  Caraca, já nos meus 30 nem me imaginava fazendo isso. 😉


Beto: ESSE É O SEU PROBLEMA... VC ACHA QUE O MUNDO GIRA AO SEU REDOR... E NÃO GIRA!!!

William: Não sou eu que quero engessar as relações como se todos tivessem os mesmos problemas.
  E TUDO ISSO NA MINHA VIDA JÁ PASSOU, nada disso gira em torno de mim ou das minhas filhas.
  No seu mundinho cor de rosa não tem crianças que nascem de famílias desestruturadas.
  Eu também não gostaria que tivesse, por isso falo tanto em PATERNIDADE RESPONSAVEL.


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 Resumo: 

1. Legitimidade do trabalho diante da urgência e do sofrimento real: Você defende que o indivíduo deve ter a autonomia de agir para mitigar as suas próprias dificuldades. Impedir alguém de trabalhar quando essa atividade é o meio direto e honesto disponível para aliviar o sofrimento econômico e familiar constitui uma grave injustiça estatal e moral.

2. Equivalência de capacidade e o direito ao salário integral: Se um jovem de 14 anos demonstra complexidade cognitiva na vida cotidiana (como a exigida em jogos eletrônicos), ele possui plena capacidade de operar funções comerciais, como o caixa de um mercado, após o treinamento padrão. Portanto, se o desempenho e a produtividade são equivalentes aos de um adulto, o jovem deve ter o direito de trabalhar formalmente (carteira assinada) e receber a remuneração integral de mercado, sem sofrer depreciação por sua idade.

3. Crítica ao modelo "Menor Aprendiz" como exploração disfarçada: Com base no exemplo prático de sua filha, você expõe que o programa governamental de aprendizagem muitas vezes serve como pretexto institucionalizado para pagar salários aviltantes. O jovem desempenha suas funções com eficiência e qualidade idênticas às dos funcionários comuns, porém recebe uma remuneração desproporcional (menos da metade de um salário mínimo), o que configura uma exploração chancelada pela lei.

 4. Desmistificação das falsas "ajudas" trabalhistas (O Sofisma dos Benefícios): Você rebate o argumento de que direitos como 13º salário, férias remuneradas e FGTS sejam "concessões especiais" ou vantagens do programa Menor Aprendiz. Tais garantias são meras obrigações legais decorrentes de qualquer contratação em regime formal de trabalho; usá-las para justificar a redução do salário-base do adolescente é um sofisma que mascara a desvalorização da sua mão de obra.

5. O choque de realidade contra o idealismo ("Mundinho Cor de Rosa"): Contradizendo as visões acadêmicas e padronizadas sobre o que a juventude "deve" ou "não deve" fazer, você apresenta a crueza dos fatos através da sua vivência pessoal (o sustento de múltiplos irmãos pequenos e os cuidados dedicados ao seu irmão com hidrocefalia). O argumento demonstra que existem cenários de vulnerabilidade extrema onde a renda do trabalho imediato é o único fator que separa uma família da miséria absoluta, tornando os discursos idílicos distantes da prática.

6. Defesa da flexibilização e do trabalho intermitente moderno: A alternativa viável para conciliar a necessidade econômica com os estudos reside nos modelos flexíveis de contratação presentes em economias modernas. Adotar jornadas variáveis (como períodos combinados de 4 ou 6 horas) que atendam aos horários de pico das empresas permite que o jovem trabalhe de acordo com sua disponibilidade real, sem a necessidade de modelos rígidos e padronizados.

7. O engessamento estatal e a visão distorcida da sociedade: Você conclui apontando que o excesso de regulamentações burocráticas impostas por vieses ideológicos acaba prejudicando justamente a população mais carente. Esse engessamento parte de premissas prepotentes e equivocadas do Estado: trata os cidadãos pobres como incapazes ("amebas") de gerir e decidir sobre suas próprias vidas e demoniza o empreendedorismo ("vampiros"), destruindo a sinergia legítima entre quem precisa trabalhar e quem precisa contratar.

  


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